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28/07/2016

La Niña mais fraco afasta temores de perdas na soja e milho na América do Sul

O fenômeno climático La Niña deve se apresentar em uma versão enfraquecida durante o verão na América do Sul.

O fenômeno climático La Niña deve se apresentar em uma versão enfraquecida durante o verão na América do Sul, o que reduz os riscos de perdas nas próximas safras de soja e milho pelo tempo seco que em geral acompanha o fenômeno na região, disseram especialistas.

La Niña, o fenômeno oposto ao El Niño, consiste em uma aceleração dos ventos equatoriais que provoca um esfriamento do Pacífico do Equador e chuvas abaixo da média na Argentina, Paraguai, Uruguai e no Sul do Brasil, bem como fortes precipitações em outras partes do mundo.

No entanto, considerando que até o meio do ano se registrou um intenso fenômeno El Niño, o seu contrário feminino deverá se estabelecer a partir de dezembro e em uma versão amenizada, o que afasta temores de condições climáticas extremas e até gera expectativas favoráveis para os cultivos do Sul do Brasil.

A América do Sul é uma das principais fontes de exportação de alimentos do mundo, principalmente de soja e milho --o Brasil é o maior exportador da oleaginosa e o segundo do cereal.

"Os efeitos do La Niña, que segundo os modelos climáticos serão fracos, seriam sentidos no verão do hemisfério sul, sobretudo entre o fim de dezembro e o começo de janeiro", disse à Reuters Stella Carballo, especialista do Instituto Clima e Água da Argentina, principal exportadora mundial de óleo e farelo de soja.

"Temos muita água no mapa, esperam-se chuvas em outubro e novembro, o que vai gerar umidade para a semeadura (de soja e milho) e para o momento de definição para a produção de trigo (na Argentina)", acrescentou.

No Sul do Brasil, a previsão de uma versão moderada do fenômeno também gera alívio aos produtores.

"Essa La Niña não está apontando para seca, é uma La Niña que está começando. E como ela está começando, não vai ter esse efeito muito intenso de seca no Sul", disse a meteorologista Patricia Madeira, da Climatempo.

O fenômeno será "bom para a próxima safra de grãos, não tem nada que traga preocupação, se vai faltar ou se vai ter muita chuva. A chuva será irregular, mas ela vem", disse Patricia.

Segundo ela, deverá chover bem em janeiro, mas apossibilidade de diminuição de chuvas em fevereiro. "Isso (a diminuição das chuvas) não deve ser um problema, pois as culturas estarão em desenvolvimento."

No Nordeste do Brasil, disse a meteorologista, também haverá um aumento da umidade em janeiro, o que deve beneficiar a agricultura, uma situação muito melhor do que em anos anteriores, quando a região foi atingida por uma severa seca.

Em seu último relatório de oferta e demanda global, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estimou a safra 2016/17 de soja no Brasil em 103 milhões de toneladas, ante 96,5 milhões no ano anterior, enquanto a Argentina deverá colher 57 milhões de toneladas, em comparação com 56,5 milhões no ciclo 2015/16.

Para o milho 2016/17, o USDA espera que a produção da Argentina atinja 34 milhões de toneladas, contra 28 milhões do ciclo anterior. A nova safra de milho brasileira está estimada em 80 milhões de toneladas, ante 70 milhões em 15/16, temporada que atingida por problemas climáticos.

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