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07/02/2017

Água potável, qualidade de vida e redução da mortalidade infantil

“Vicei nessa água limpa, nessa água boa”.

 

A frase pode soar estranha a quem nasceu nas grandes cidades, com acesso a saneamento básico e à água potável na torneira de casa, mas essa nem sempre foi a realidade de dona Áurea Lucia Lopes e sua família na cidade de São Vicente do Seridó, sertão da Paraíba

Esposa e mãe de agricultores familiares, há dois anos a agente de saúde foi contemplada com um dessalinizador de água por um projeto voltado para comunidades de agricultores familiares da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em parceria com outras instituições locais. 

A tecnologia retira o sal presente na água de poços artesianos, salobra devido às rochas da região, a partir de energia limpa (solar e eólica) deixando-a própria para o consumo. Sem o equipamento as alternativas da população local são a compra de galões de água ou a espera pelo caminhão-pipa. O tema foi destaque no Caderno de Boas Práticas de Ater da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento (Sead). 

“Minha vida mudou bastante, hoje eu não consigo viver sem ele (o dessalinizador). A água é maravilhosa, a gente se acostumou, sabe? A gente tomava antes uma água muito ruim, amarela, eu chegava a comprar também para ter algo melhor para beber. Hoje eu bebo essa água e ainda divido com os vizinhos”, conta rindo Aurea Lúcia. 

O doutor em Recursos Naturais da UEPB e coordenador do Projeto Sistema Sustentável de Dessalinização de Água, Francisco José Loureiro, explica que cada dessalinizador purifica cerca de 16 litros de água por dia. Toda a estrutura custa em média R$700,00 e sua manutenção consiste em apenas retirar o sal acumulado de duas em duas semanas. O mineral também é utilizado como suplemento para gado bovino e caprino, uma das principais atividades do sertão paraibano.

Sendo a água elemento fundamental à vida, Loureiro ressalta que o dessalinizador traz qualidade aos agricultores familiares e ainda ajuda a reduzir os índices de mortalidade infantil que já tiveram como grande causa a ingestão de água contaminada.

Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) foram registrados, no ano de 2016, 642 óbitos de crianças em todo o estado da Paraíba. Desses, 4% dos casos foram causados por doenças infecciosas e parasitárias. O Nordeste lidera a categoria no Brasil com 9.926 mortes de meninos e meninas em 2016. 

 

“Dentro do dessalinizador a água chega a uma temperatura de quase 70º C, então ela sai livre de coliformes fecais e bactérias. Na nossa condição de penúria em relação aos recursos hídricos, muitas vezes as famílias da zona rural são forçadas a beber uma água de qualidade muito baixa. Uma água que vem de destinos incertos, porque os açudes onde os caminhões abastecem as vezes são os mesmo que recebem o esgoto”, explica o doutor. 

Loureiro ainda reflete que em comunidades mais afastadas dos centros dos municípios, o saneamento básico é precário e muitas famílias sequer possuem vaso sanitário utilizando assim os quintais de casa como espaço para fazer suas necessidades básicas, o que agrava os processos de contaminação da água já que os contaminantes também são levados pelo vento. 

“Os agricultores também utilizam cisternas para captar água da chuva, mas a água não chega a ser tratada depois. Esse trabalho do dessalinizador traz esse diferencial, a água vem tratada e eu, particularmente, invisto meu tempo, pesquiso isso mais a fundo para aumentar o rendimento. Acredito que isso traz uma qualidade de vida para o agricultor familiar e melhora a questão da saúde pública”, finaliza Loureiro. 

Quatro cidades da região do Rio Seridó já foram contempladas com dessalinizadores: Cubati, Remígio e Solidade, além de São Vicente do Seridó. Ao todo foram instalados 34 dessalinizadores que beneficiam cerca de 200 pessoas. A partir desse mês, outros 70 serão construídos para famílias do município de Caraúba.  Com editais e prêmios, além do apoio de outras instituições que atuam no agreste da Paraíba, o projeto vai crescendo, ganhando força e levando esperança aos agricultores familiares. 

Caderno de Boas Práticas de Ater

O Caderno “Boas Práticas de ATER” é uma iniciativa que integra o Plano de Inovação na Agricultura Familiar, e tem como objetivo identificar, sistematizar e compartilhar referências inovadoras, com contribuição comprovada na ação de ATER e na implementação de políticas públicas, voltadas para o Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário. Sua primeira edição contempla ações de todo o Brasil, desenvolvidas em vários setores da agricultura familiar ao longo de 2015. O documento pode ser lido no link: http://www.mda.gov.br/sitemda/sites/sitemda/files/user_arquivos_3/ps03.pdf .

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